sábado, 8 de janeiro de 2011

Inundação

Numa noite tão negra e iluminada, minha mãe e minha irmã me faziam companhia. A lua estava perfeita como nunca esteve, imensa, parecia que ia encostar no chão, de tão perto que estava da Terra. Morávamos em uma casa simples, numa pequena encosta e amontoado com outras casas.  Meu quarto iluminado por uma lâmpada amarela 60w, entoava a cor que impregnava na minha vista.
Ouvi gritos do lado de fora da janela. As pessoas desesperadas correndo de um turbilhão de água, que invadia a cidade a fora. Pensei nas pessoas as quais mais gostava. Chamei minha mãe e minha irmã para meu quarto e clamei por nossas vidas. Juntos fechamos a porta e quando ia fechar a janela, sentimos o impacto da água em nossa casa, que de tanta ferocidade foi arrancada da base de concreto. Estávamos num cubo girando e flutuando num imenso oceano. O cubo de concreto, meu quarto, parou de girar e a janela ficou virada para baixo, para a água. Esta invadia o quarto.
 Com a cabeça girando, caminhei ziguezagueando para a porta, abri e saltou aos meus olhos uma visão ampla e clara do que havia acontecido. Pessoas se afogando, pedaços de concreto, casas, telhados, roupas, tudo boiando a deriva, à espera de ser salvo. Avistei três prédios paralelos e tínhamos que tentar sair do quarto para nos salvar. Subimos numa plataforma que flutuava em direção aos prédios e nela fomos até bem próximo, mas tivemos que pular e nadar até as pessoas que lá já estavam. Afoitas, gritavam e chamavam por nós.
Após estar em um piso seguro, observei a lua novamente, ainda estava linda, mas um tanto deformada. De repente, a imagem de uma explosão. A lua esfarelou em pequenas partículas. Um choque tremendo. Meu coração que já estava disparado, quase não suportou tanto desespero.
De maneira tão simples e também assustadora, luzes se aproximaram da lua. Pequenas luzes. Tais, reduziram a lua a nada mais que uma esfera de aproximadamente cem metros de diâmetro. A lua foi remodelada com placas de aço, sucata espalhada pela água. As luzes simplesmente se transformaram em naves, que pareciam não ser daqui. Elas manipulavam a imensa esfera de metal, que já não reluziam nada além de um reflexo fosco das luzes artificiais. E em nossa direção vieram pairando no ar. Um tremendo ar sombrio e denso misturava com todo caos do momento. Numa ância de saber mais, a curiosidade ofuscou todo medo e num piscar de olhos tudo se foi.

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