Num entardecer com nuvens carregadas, estava a descansar em casa. O tempo nublado e meio escuro, não aguçava a vontade de sair para passear. Entediado com o dia, após ficar deitado por um bom tempo, levantei e enquanto caminha em direção à janela ouvi estrondos do lado de fora. Abaixei e caminhei assustado com receio de ser acertado por alguma coisa até chegar à janela. Ao chegar, vi um horizonte escuro e tempestuoso, raios cortavam o céus.
O fenômeno era estranho, os raios além de serem constantes e vários ao mesmo tempo brilhavam a ponto de cegar. Com um barulho ensurdecedor, muitos pontos no céu começaram a formar redemoinhos de raios. Munido de trovões e relâmpagos, as toras de energia rachavam o chão ligando céu e terra por um bom tempo. Como se não bastasse essa energia absurda, do chão emergiu terra, rochas e raízes. Neste imenso caos que ainda avistava da janela, carros virados, pessoas mortas, saques, roubos e assassinatos aconteciam demasiadamente.
Voltei á realidade e sai de casa em busca de um carro que me levasse para minha família. Vi pessoas entrando num escombro que dava num porão de uma casa. Entrei e num corredor bem apertado segui em frente até ver uma escada a minha esquerda. Lá encontrei uma mulher falando que se quisesse viver era melhor nos juntarmos e seguirmos juntos para um lugar seguro. Sendo assim, seguimos.
Começamos a caminhar entre árvores tombadas, pedaços de concreto até avistar uma subida estreita. Ao iniciar, escutamos tiros sem saber de onde vinham.Vi muitos disparos, pessoas e mais pessoas correndo e caindo. Sem razões e sem entender, atirei e as vi caindo ao léu, como seres irracionais. A cada aperto no gatilho, parte de mim morria junto das que matei. Em contradição, no mesmo momento que sentia isto, uma estranha satisfação tomava conta de mim aliviando a dor e o peso das mortes. Num piscar de olhos tudo se foi.