sábado, 12 de fevereiro de 2011

Quando céu e terra se uniram

Num entardecer com nuvens carregadas, estava a descansar em casa. O tempo nublado e meio escuro, não aguçava a vontade de sair para passear. Entediado com o dia, após ficar deitado por um bom tempo, levantei e enquanto caminha em direção à janela ouvi estrondos do lado de fora. Abaixei e caminhei assustado com receio de ser acertado por alguma coisa até chegar à janela. Ao chegar,  vi um horizonte escuro e tempestuoso, raios cortavam o céus.
O fenômeno era estranho,  os raios além de serem constantes e vários ao mesmo tempo brilhavam a ponto de cegar. Com um barulho ensurdecedor, muitos pontos no céu começaram a formar redemoinhos de raios. Munido de trovões e relâmpagos, as toras de energia rachavam o chão ligando céu e terra por um bom tempo. Como se não bastasse essa energia absurda, do chão emergiu terra, rochas e raízes. Neste imenso caos que ainda avistava da janela, carros virados, pessoas mortas, saques, roubos  e assassinatos aconteciam demasiadamente.
Voltei á realidade e sai de casa em busca de um carro que me levasse para minha família. Vi pessoas entrando num escombro que dava num porão de uma casa. Entrei e num corredor bem apertado segui em frente até ver uma escada a minha esquerda. Lá encontrei uma mulher falando que  se quisesse viver era melhor nos juntarmos e seguirmos juntos para um lugar seguro. Sendo assim, seguimos.
Começamos a caminhar entre árvores tombadas, pedaços de concreto até avistar uma subida estreita. Ao iniciar, escutamos tiros sem saber de onde vinham.Vi muitos disparos, pessoas e mais pessoas correndo e caindo. Sem razões e sem entender, atirei  e as vi caindo ao léu, como seres irracionais. A cada aperto no gatilho, parte de mim morria junto das que matei. Em contradição, no mesmo momento que sentia isto,  uma estranha satisfação tomava conta de mim aliviando a dor e o peso das mortes. Num piscar de olhos tudo se foi.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Distúrbio ou mensagem?

Mais um dia comum com minha rotina corriqueira, se não fosse a notícia de que minha mãe havia sido internada. Desesperado fui ao hospital. Em frente e na entrada de emergência do hospital tinham muitas pessoas. Várias ligadas por algum motivo à minha mãe. Da portaria não passei, simplesmente não deram razões, nem notícias. Eu não soube de absolutamente nada. Através de algumas pessoas que saíam do hospital, soube que minha mãe realmente estava lá, mas não queriam medicá-la, pois o custo era alto. Minha mãe corria risco de morte, já estava extremamente debilitada e alguma coisa deveria ser feita para salvá-la. Pude vê-la de relance entre médicos e enfermeiro, sofrendo e pedindo ajuda deitada em uma maca à deriva num corredor.
 As pessoas defronte ao hospital, indignadas com os fatos, protestavam e uma delas falava coisas num megafone, mas eu não conseguia entender. Pedi para falar um pouco para todos que ali estavam:
_Muito obrigado por estarem aqui. Porém nada está sendo feito.
Prossegui falando às pessoas, mas já não escutava minha própria voz. Desolado vaguei num labirinto. Eram várias estradas de chão, lá andei á procura da solução para salvá-la. Tudo escureceu.
Voltei aliviado sabendo que minha mãe havia recebido os medicamentos e estava recuperando-se. No dia seguinte, voltei ao trabalho. Os colegas me abordavam perguntando como minha mãe estava e eu lhes dizia que ela estava bem. As perguntas se repetiam até que um me disse que ela não havia recuperado e acabou falecendo. Eu estava indignado com essa conversa, porque como essa pessoa que não tinha ligação com minha mãe iria saber de uma coisa tão pessoal. Retruquei um pouco ríspido e ao sair da sala de reuniões fiquei por ultimo, o colega antes de mim me pediu para desligar o ventilador que havia ficado ligado. Olhei para dentro da sala, as luzes estavam apagadas, só havia a claridade da porta entreaberta. Com receio de alguma coisa e sentindo a presença de alguém, um medo tremendo de minha mãe ter falecido realmente e querer falar alguma coisa, neste instante eu hesitei. Mas assim mesmo entrei, desliguei o ventilador e quando estava para sair tropecei no fio dele jogando-o no chão. Quando estava para passar da porta olhei para traz, estava só, porém escutei alguém dizendo meu nome como minha mãe sempre dizia:
_ Carlinhos!
Voltei e abaixada próximo a porta encostada na parede estava minha mãe extremamente debilitada e ofegante. Assustado, abaixei junto dela e perguntei:
_Mãe o que a senhora esta fazendo aqui? A senhora não estava sendo medicada?
Ela com os olhos cheios de lagrimas, me disse:
_Meu filho, eu estava sim, mas não tomei o remédio ontem. Esqueci de tomar.
Sem ter o que dizer e com uma dor imensa em meu coração, levei a mão em seu rosto, afagando as lágrimas e a tristeza que descia, mas ela continuou dizendo:
_ A doença vai se espalhar em dez horas, quando acabar esse tempo, terei de ser acorrentada. Meu filho! Esse tempo acaba agora a tarde.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Céu Cor de Rosa

Estava deslumbrado com um fim de tarde maravilhoso, daqueles que o dia fica amarelado, sabe? Pois bem, caminhava em minha cidade tranquilamente. As ruas estavam cheias de pessoas, as que consumiam, que passeavam com a família ou simplesmente sozinhas. E assim, caminhava entre tais, à procura de alguém. Não sabia porque procurava, mas fazia mesmo sem motivos.
Passei entre lojas cheias de pessoas que consumiam eletrodomésticos, roupas, comidas entre outras coisas. As cores me chamaram muito a atenção. Deparei com uma rua que me levaria a casa de um amigo, sem pensar muito segui em direção a tal. Já não havia tantas pessoas mais. Continuei caminhando e vi muitas pessoas correndo desesperadas. Os carros nas ruas batendo uns nos outros, fugindo de algo que parecia voraz. Entrei numa outra rua, a casa de meu amigo fica no final dela, de frente para quem a segue. Por de traz de sua casa um grande rio corta toda a extensão da cidade.
Quando enfim cheguei em frente a casa, vi a coisa mais impressionante que os meus olhos poderiam ver algum dia. O céu seguindo o horizonte, estava claro e havia muitas nuvens. Era um misto de aurora boreal com cores incomuns, as nuvens eram cor de rosa e estavam muito baixas a ponto de quase poder tocar. Parte do céu estava com o azul mais lindo que já vi. Um momento que jamais ei de ver novamente.
Mas algumas poucas nuvens se abriram e entre elas, canhões de metal reluzente se movimentavam, mirando em várias direções, inclusive em mim. O prata dos metais e o rosa das nuvens fundiram-se mixando o belo e a agonia. O medo e a aflição tomaram conta do prazer que as cores e a paisagem havia dado ao meu coração. Um instante de silêncio tomara conta de tudo que estava ali.
Sem razões ao terminar seu movimento, os canhões simplesmente dispararam em todas direções. Não eram mísseis, nem balas comuns, as esferas de metais com diâmetro de 3 metros cruzavam o horizonte e o rastro de fumaça cinza, marcava as nuvens e o céu, formando uma parábola quase perfeita. Ainda olhávamos mudos a todos os fatos.
As esferas de fogo se aproximavam rapidamente e o verdadeiro caos inicia-se. Pessoas caindo, desesperadas, muitas crianças chorando. Um corre-corre tremendo, mas de nada adiantou. Eu, estagnado e perplexo fiquei a observar tudo. Quando as primeiras esferas tocaram o chão,  foi horrível. Os impactos eram fortes. Caíram em cima de casas, carros, em ruas, destruindo e ateando fogo em tudo. Vi pessoas morrerem queimadas ou soterradas. Fui dar conta e pensar na família neste instante. Tinha que sair rapidamente dali e logo a frente, um carro estava parado. Fiz uma ligação direta e saí, mas quanto mais acelerava, inversamente proporcional ele andava e num piscar de olhos tudo se foi.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Inundação

Numa noite tão negra e iluminada, minha mãe e minha irmã me faziam companhia. A lua estava perfeita como nunca esteve, imensa, parecia que ia encostar no chão, de tão perto que estava da Terra. Morávamos em uma casa simples, numa pequena encosta e amontoado com outras casas.  Meu quarto iluminado por uma lâmpada amarela 60w, entoava a cor que impregnava na minha vista.
Ouvi gritos do lado de fora da janela. As pessoas desesperadas correndo de um turbilhão de água, que invadia a cidade a fora. Pensei nas pessoas as quais mais gostava. Chamei minha mãe e minha irmã para meu quarto e clamei por nossas vidas. Juntos fechamos a porta e quando ia fechar a janela, sentimos o impacto da água em nossa casa, que de tanta ferocidade foi arrancada da base de concreto. Estávamos num cubo girando e flutuando num imenso oceano. O cubo de concreto, meu quarto, parou de girar e a janela ficou virada para baixo, para a água. Esta invadia o quarto.
 Com a cabeça girando, caminhei ziguezagueando para a porta, abri e saltou aos meus olhos uma visão ampla e clara do que havia acontecido. Pessoas se afogando, pedaços de concreto, casas, telhados, roupas, tudo boiando a deriva, à espera de ser salvo. Avistei três prédios paralelos e tínhamos que tentar sair do quarto para nos salvar. Subimos numa plataforma que flutuava em direção aos prédios e nela fomos até bem próximo, mas tivemos que pular e nadar até as pessoas que lá já estavam. Afoitas, gritavam e chamavam por nós.
Após estar em um piso seguro, observei a lua novamente, ainda estava linda, mas um tanto deformada. De repente, a imagem de uma explosão. A lua esfarelou em pequenas partículas. Um choque tremendo. Meu coração que já estava disparado, quase não suportou tanto desespero.
De maneira tão simples e também assustadora, luzes se aproximaram da lua. Pequenas luzes. Tais, reduziram a lua a nada mais que uma esfera de aproximadamente cem metros de diâmetro. A lua foi remodelada com placas de aço, sucata espalhada pela água. As luzes simplesmente se transformaram em naves, que pareciam não ser daqui. Elas manipulavam a imensa esfera de metal, que já não reluziam nada além de um reflexo fosco das luzes artificiais. E em nossa direção vieram pairando no ar. Um tremendo ar sombrio e denso misturava com todo caos do momento. Numa ância de saber mais, a curiosidade ofuscou todo medo e num piscar de olhos tudo se foi.