domingo, 23 de janeiro de 2011

Distúrbio ou mensagem?

Mais um dia comum com minha rotina corriqueira, se não fosse a notícia de que minha mãe havia sido internada. Desesperado fui ao hospital. Em frente e na entrada de emergência do hospital tinham muitas pessoas. Várias ligadas por algum motivo à minha mãe. Da portaria não passei, simplesmente não deram razões, nem notícias. Eu não soube de absolutamente nada. Através de algumas pessoas que saíam do hospital, soube que minha mãe realmente estava lá, mas não queriam medicá-la, pois o custo era alto. Minha mãe corria risco de morte, já estava extremamente debilitada e alguma coisa deveria ser feita para salvá-la. Pude vê-la de relance entre médicos e enfermeiro, sofrendo e pedindo ajuda deitada em uma maca à deriva num corredor.
 As pessoas defronte ao hospital, indignadas com os fatos, protestavam e uma delas falava coisas num megafone, mas eu não conseguia entender. Pedi para falar um pouco para todos que ali estavam:
_Muito obrigado por estarem aqui. Porém nada está sendo feito.
Prossegui falando às pessoas, mas já não escutava minha própria voz. Desolado vaguei num labirinto. Eram várias estradas de chão, lá andei á procura da solução para salvá-la. Tudo escureceu.
Voltei aliviado sabendo que minha mãe havia recebido os medicamentos e estava recuperando-se. No dia seguinte, voltei ao trabalho. Os colegas me abordavam perguntando como minha mãe estava e eu lhes dizia que ela estava bem. As perguntas se repetiam até que um me disse que ela não havia recuperado e acabou falecendo. Eu estava indignado com essa conversa, porque como essa pessoa que não tinha ligação com minha mãe iria saber de uma coisa tão pessoal. Retruquei um pouco ríspido e ao sair da sala de reuniões fiquei por ultimo, o colega antes de mim me pediu para desligar o ventilador que havia ficado ligado. Olhei para dentro da sala, as luzes estavam apagadas, só havia a claridade da porta entreaberta. Com receio de alguma coisa e sentindo a presença de alguém, um medo tremendo de minha mãe ter falecido realmente e querer falar alguma coisa, neste instante eu hesitei. Mas assim mesmo entrei, desliguei o ventilador e quando estava para sair tropecei no fio dele jogando-o no chão. Quando estava para passar da porta olhei para traz, estava só, porém escutei alguém dizendo meu nome como minha mãe sempre dizia:
_ Carlinhos!
Voltei e abaixada próximo a porta encostada na parede estava minha mãe extremamente debilitada e ofegante. Assustado, abaixei junto dela e perguntei:
_Mãe o que a senhora esta fazendo aqui? A senhora não estava sendo medicada?
Ela com os olhos cheios de lagrimas, me disse:
_Meu filho, eu estava sim, mas não tomei o remédio ontem. Esqueci de tomar.
Sem ter o que dizer e com uma dor imensa em meu coração, levei a mão em seu rosto, afagando as lágrimas e a tristeza que descia, mas ela continuou dizendo:
_ A doença vai se espalhar em dez horas, quando acabar esse tempo, terei de ser acorrentada. Meu filho! Esse tempo acaba agora a tarde.

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